A Amcham Brasil alertou nesta terça-feira que a recomendação do USTR — que propõe aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros —, se confirmada, tende a elevar custos e reduzir a competitividade das exportações do país. A entidade ressalta que o relatório não é final e que ainda há espaço para evitar a adoção das medidas, desde que haja avanço nas negociações entre os governos.
No posicionamento público, a câmara reforça a expectativa do setor privado por uma intensificação do diálogo bilateral nas próximas semanas. O presidente da Amcham ressaltou que é preciso buscar uma solução que trate das questões em disputa sem comprometer as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos entre Brasil e Estados Unidos. O relatório também aponta reconhecimento dos avanços nas conversas impulsionadas pelo encontro entre os presidentes em 7 de maio.
A preocupação ganha contorno maior diante de outra investigação americana, pela Seção 301, sobre importações feitas com trabalho forçado, que pode resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Para a Amcham, a soma de medidas protecionistas desse tipo criaria obstáculos comerciais e pressionaria custos de produção, com potencial efeito adverso sobre cadeias de suprimento, preços ao consumidor e atração de investimentos.
Politicamente, o episódio acende um alerta para o governo: além de negociar tecnicamente, será necessário mitigar impactos setoriais e apresentar estratégia clara aos exportadores. Do ponto de vista econômico, o risco é que tarifas elevadas erosionem margens, retirem competitividade do produto nacional e forcem ajustes de curto prazo que podem repercutir em emprego e investimento. A recomendação do setor privado é usar as janelas de negociação abertas para evitar medidas que aumentem o custo do comércio bilateral.