A American Express anunciou lucro líquido de US$ 2,97 bilhões no primeiro trimestre de 2026, acima dos US$ 2,58 bilhões do mesmo período de 2025. O lucro diluído por ação ficou em US$ 4,28, superando tanto o número do ano anterior (US$ 3,64) quanto a previsão média da FactSet (US$ 4,00). A receita antes de despesas com juros cresceu 11% na base anual, para US$ 18,91 bilhões, também acima do consenso (US$ 18,6 bilhões).
Apesar dos resultados, as ações reagiram negativamente: por volta das 14h20 (Brasília) o papel caía quase 5%. O motivo aparente está nas despesas consolidadas, que subiram 11% para US$ 13,9 bilhões, impulsionadas por custos maiores de engajamento do cliente, pela reformulação do Cartão Platinum nos EUA e pelo uso ampliado de benefícios de viagem e lifestyle.
A companhia disse que vai aumentar investimentos em marketing e tecnologia e reafirmou a projeção para 2026: crescimento de receita entre 9% e 10% e lucro por ação entre US$ 17,30 e US$ 17,90 (consenso de analistas em US$ 17,56). A combinação de maior gasto operacional e novo ciclo de investimentos parece ter pesado sobre a leitura dos investidores, que interpretaram o movimento como risco à trajetória de margem.
O balanço mostra demanda resiliente entre clientes de maior renda, apontada pela própria empresa como "solidez e estabilidade", mas também expõe o trade-off entre crescer participação e manter eficiência. Em curto prazo, a American Express precisa demonstrar que os recursos adicionais em marketing e tecnologia vão se traduzir em ganho de receita que compense a pressão sobre custos, sob pena de manter a volatilidade das ações.