Os recentes movimentos dos Estados Unidos — deslocamento de caças F-16 de uma base na Alemanha, emprego de F-35 britânicos e o envio de aviões-tanque KC-135 e KC-46 — sinalizam que Washington começa a aceitar uma campanha mais longa contra o Irã. O ajuste operacional indica a passagem de uma expectativa de ação rápida para uma estratégia de maior duração e sustentação aérea.

Mesmo com forte emprego aéreo: cerca de 13 mil missões americanas e 10 mil israelenses em um período de 40 dias, o Irã manteve a capacidade de atingir navios e alvos na região. O confronto já provocou perdas entre militares americanos e continua a se expandir pelo Mar Vermelho, após anúncios dos houthis de ataques a petroleiros sauditas — o que amplia a ameaça às rotas marítimas que conectam Ásia e Europa.

A dimensão econômica é clara. A Arábia Saudita desviou parte de seu escoamento do Golfo Pérsico para um oleoduto até Yanbu, que transporta quase 7 milhões de barris por dia — cerca de 7% do consumo global. Além do petróleo, o Mar Vermelho é rota de um quinto dos navios porta-contêineres; interrupções forçam o contorno pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando até 6 mil km e 10–15 dias às viagens, com impacto direto no frete, prazos e preços ao consumidor.

Na prática, a ampliação do conflito tende a aprofundar o choque econômico em vez de resolvê-lo: maior prêmio de risco sobre energia e transporte, inflação de custos para importadores e tensão fiscal para governos que terão de arcar com riscos e eventuais contingências. O quadro pressupõe um custo humano e financeiro mais elevado para os Estados Unidos e maior pressão sobre cadeias globais, o que exige resposta diplomática e atalhos que vão além do recurso exclusivo à força aérea.