A Anbima projeta que o Brasil terá 8,7 milhões de novos investidores em 2026, ampliando a base para 60,6 milhões de pessoas — cerca de 36% da população —, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor divulgada nesta quinta-feira. O levantamento também mostra que 43% dos entrevistados dizem ter conhecimento espontâneo sobre produtos financeiros.
A caderneta de poupança permanece como o produto mais conhecido e o mais utilizado, citado por 22% dos pesquisados, reflexo da preferência por segurança entre pequenos aplicadores. Entre as intenções de uso, imóveis aparecem como a categoria com maior crescimento, sinalizando apetite por ativos tangíveis em um cenário de cautela.
A digitalização do investimento fica evidente: 63% usam plataformas on-line como principal canal de aplicação, contra 32% que optam por atendimento presencial. O avanço tecnológico amplia o acesso, mas intensifica a necessidade de proteção ao investidor, segurança cibernética e educação financeira para evitar que novos entrantes sejam expostos a riscos evitáveis.
Do ponto de vista político e econômico, uma base de investidores maior tem impacto concreto: amplia a força política de demandas por regulação clara, tributação e medidas pró-mercado, ao mesmo tempo em que pressiona instituições a reforçar transparência e governança. A expansão é positiva para o desenvolvimento dos mercados, mas só será sustentável se for acompanhada de políticas públicas e práticas privadas de formação e proteção ao pequeno aplicador.