A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) anunciou que rompeu o contrato firmado com a Sportradar — plataforma internacional de monitoramento de manipulação de resultados — em reação à medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proíbe o funcionamento das bets no país. O acordo com a empresa havia sido celebrado em fevereiro deste ano, na esteira de um tratado com o Ministério do Esporte assinado em 2025.

O contrato previa a manutenção de duas plataformas educacionais destinadas a agentes do esporte e autoridades responsáveis por monitoramento, detecção e recebimento de denúncias sobre manipulação. Segundo a associação, esses módulos abordavam riscos das apostas, regras, procedimentos de detecção e canais de denúncia — ferramentas que agora ficam sob risco de interrupção com a saída do parceiro técnico.

Na avaliação da ANJL, a proibição do mercado regulado tende a deslocar apostadores para plataformas ilegais, que não têm incentivos para detectar ou combater fraudes, e assim aumentaria o risco de esquemas de manipulação envolvendo atletas e resultados. Do ponto de vista institucional e econômico, a medida cria uma contradição: o Executivo veta o setor regulado e, simultaneamente, anuncia ações para endurecer o combate ao mercado ilegal.

O governo informou também o envio de um projeto de lei ao Congresso para tipificar crimes ligados às apostas de quota fixa e afirmou que, a partir de 6 de outubro, sites e patrocínios das bets deixariam de atuar no país. Ainda assim, a decisão da ANJL expõe um custo prático da proibição — a perda de ferramentas de prevenção e inteligência — e acende alerta sobre consequências imediatas para a integridade das competições e a capacidade de fiscalização, gerando nova frente de pressão política e técnica sobre a administração federal.