A Anthropic concluiu uma rodada de investimento avaliada em US$ 65 bilhões que a colocou como a startup de tecnologia mais valiosa do mundo, com valuation de US$ 965 bilhões, acima dos US$ 852 bilhões atribuídos à OpenAI. A rodada H contou com aportes relevantes de hyperscalers — provedores de infraestrutura em nuvem — que, segundo o material-base, somaram US$ 15 bilhões.
Para o sócio da Valor Capital, Pablo Alencar, o motor desse salto foi o crescimento acelerado da receita da companhia: de cerca de US$ 1 bilhão em janeiro de 2025 para US$ 4,7 bilhões em maio de 2026, segundo sua avaliação. Parte da diferença estratégica entre Anthropic e OpenAI estaria na aposta do Claude no segmento corporativo, enquanto o ChatGPT alcançou primeiro a popularidade entre usuários finais.
O foco empresarial tem reflexos práticos. Alencar citou que a adoção interna por empresas como o Uber, que disponibilizou o Claude a milhares de engenheiros, consumiu orçamentos previstos para o ano em poucos meses. Executivos do setor também relataram que custos de computação já superam despesas com pessoal em algumas equipes, o que traz desafio de dimensionamento e controle de gasto.
Do ponto de vista financeiro e competitivo, a cerimônia de apoio dos hyperscalers sinaliza que a aposta é maior do que a rodada de uma startup: trata-se da consolidação de uma plataforma com integração profunda aos provedores de nuvem. Isso amplia a dependência de grandes fornecedores e cria barreiras para concorrentes menores, ao mesmo tempo em que pressiona clientes corporativos a rever prioridades orçamentárias.
Há, portanto, duas leituras: a positiva — receita robusta e adoção empresarial que justificam investimentos pesados — e a de risco. A concentração de poder nas mãos de poucas plataformas, o aumento dos custos operacionais para empresas usuárias e a vulnerabilidade de players menores que competem por preço merecem acompanhamento regulatório e estratégico. Para investidores e gestores, a prioridade será demonstrar sustentabilidade de receita e controle de custos, enquanto autoridades devem avaliar impactos concorrenciais.