A Apple sofreu duas restrições relevantes na cadeia de produção nas últimas semanas: escassez de semicondutores e aperto no fornecimento de memória. Para mitigar o impacto, a empresa antecipou encomendas de chips e aceitou pagar valores muito superiores pelo insumo de memória — cerca de quatro vezes o preço anterior, segundo análise do programa Resenha do Dinheiro — medidas que ajudaram a manter a produção, mas reduziram a margem de manobra no curto prazo.

Para não ver a rentabilidade comprimida, a companhia optou por repassar parte do aumento de custos aos consumidores, com reajustes no preço do iPhone que chegaram a 17%. O movimento evidencia duas lições econômicas: fabricantes com força de marca conseguem transferir choque de custo para o varejo; e esse tipo de repasse tende a pressionar o bolso do consumidor, com impacto possível na demanda se a elasticidade de preço for maior do que a estimada pela empresa.

No mesmo painel, a Embraer anunciou receita recorde de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela elevação da demanda por aeronaves, e revisou para cima suas projeções para o ano. O resultado reforça a recuperação do setor aeronáutico, mas levanta a questão central para investidores: até que ponto esse salto é sustentável ao longo do ano, especialmente frente a volatilidades macroeconômicas e prazos de entrega que podem afetar receita e caixa.

Outra mudança relevante para mercados locais foi a alteração pela B3 nos preços de diversos BDRs, agora cotados entre R$ 50 e R$ 100, iniciativa pensada para ampliar a acessibilidade a ativos estrangeiros. O conjunto de episódios — pressão em insumos, reajuste de preços, recorde na aviação e medidas de inclusão no mercado financeiro — foi discutido no Resenha do Dinheiro, programa semanal que tem buscado traduzir esses movimentos para o investidor comum.