A Apple divulgou nesta quinta-feira lucro líquido de US$ 29,58 bilhões no segundo trimestre fiscal, alta de 19% sobre o mesmo período do ano anterior. A receita foi de US$ 111,18 bilhões, 16% superior ao ano anterior e acima da estimativa média do mercado (US$ 109,45 bilhões). O lucro ajustado por ação veio em US$ 2,01, também superior à projeção dos analistas (US$ 1,97).

O desempenho foi puxado pelo iPhone: a receita do produto subiu 21,7%, chegando a quase US$ 57 bilhões, com renovação de aparelhos em ritmo forte. A China se destacou como ponto de recuperação, com vendas locais de iPhone crescendo 28% no trimestre, após anos de crescimento anêmico na região.

Apesar dos números robustos, a companhia mencionou um limitador claro: a oferta de chips avançados. O diretor financeiro Kevan Parekh afirmou que parte da capacidade da TSMC foi realocada para fabricantes de chips de inteligência artificial, como a Nvidia, reduzindo a disponibilidade para componentes que equipam os iPhones. Esse descompasso entre demanda e fornecimento acende alerta operacional para a Apple.

O resultado confirma a resiliência do modelo de negócios da Apple, mas também expõe riscos de dependência de fornecedores-chave e limitações de escala num mercado cada vez mais disputado por aplicações de IA. A transição no comando — com John Ternus assumindo como CEO em 1º de setembro — adiciona um elemento de atenção sobre prioridades estratégicas e sobre como a empresa vai equilibrar oferta, preço e investimento em cadeia produtiva.