A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) classificou como precipitada a aprovação na Câmara da proposta que elimina a escala 6x1. Paulo Solmucci, representante da entidade, criticou a velocidade do processo legislativo — a matéria avançou em cerca de 45 dias — e disse que o tema exigia debate mais amplo sobre impactos econômicos e sociais.

Na avaliação da Abrasel, a mudança pode elevar em torno de 20% os custos operacionais de bares e restaurantes. O grupo explica que a redução da jornada exigirá contratações adicionais para manter a oferta de serviços e que funções especializadas não são facilmente substituíveis, o que encarece folha e logística para pequenos estabelecimentos.

Solmucci também alertou para efeitos em outros segmentos, como condomínios e clínicas médicas, e para um risco de concentração de mão de obra: empresas maiores e localizadas em áreas mais ricas podem atrair trabalhadores especializados, esvaziando negócios de bairros periféricos e aumentando deslocamentos diários.

No plano institucional, a Abrasel saudou a postura do senador Davi Alcolumbre, que defende exame mais cuidadoso no Senado e transparência sobre custos. A entidade citou ainda a proposta de trabalho por hora do senador Rogério Marinho como alternativa que permitiria maior ajuste entre jornada e renda. O episódio expõe, na visão do setor, uma lacuna entre urgência legislativa e análise de consequências econômicas reais.