O Fundo Monetário Internacional informou que concluiu a segunda revisão do programa de US$ 20 bilhões com a Argentina e autorizou o desembolso de US$ 1 bilhão, sujeito à aprovação do Conselho Executivo do FMI. Em comunicado, a instituição ressaltou que “o ímpeto das reformas se fortaleceu significativamente nos últimos meses”, citando ganhos nas políticas monetária e cambial.
O pacote, firmado há um ano e com duração de 48 meses, substituiu um acordo anterior de US$ 44 bilhões e já conferiu ao governo de Javier Milei margem para desmontar controles de capitais. Trata‑se do 23º programa da Argentina com o FMI — um registro que reforça a vocação do país ao financiamento multilaterais diante de pressões externas.
Na prática, os avanços têm sido medidos pela recomposição de reservas: o Banco Central intensificou compras diárias de moeda estrangeira e acumulou mais de US$ 5,5 bilhões em 2026. Ainda assim, o FMI havia reduzido a meta de acumulação de reservas na primeira revisão, depois do país não atingir os objetivos iniciais, e as reservas permanecem pressionadas pelos pagamentos de dívida.
O acordo traz alívio imediato de liquidez e arredonda a narrativa de estabilização de curto prazo, mas não elimina riscos estruturais. A continuidade do apoio do mercado dependerá da consistência das políticas, do ritmo do ajuste fiscal e da capacidade do governo de traduzir reformas em resultados concretos sem provocar ruptura social ou perda de apoio político.
Para investidores e governos da região, a liberação do trâmite no FMI sinaliza disposição da instituição a renegociar metas diante da realidade local — porém, também acende um alerta: a consolidação das reservas e a entrega das reformas serão o termômetro da credibilidade argentina. Se as metas não forem sustentadas, o acesso a futuras parcelas e a confiança dos mercados poderão ser comprometidos.