A Receita Federal divulgou nesta quinta-feira que a arrecadação federal em abril atingiu R$ 278 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de abril e 7,82% acima do observado em abril de 2025. No acumulado de janeiro a abril de 2026, a receita soma R$ 1,05 trilhão, com crescimento real de 5,41% e também recorde histórico para o primeiro quadrimestre.

O avanço da arrecadação foi puxado, segundo a própria RFB, pela contribuição previdenciária, além do desempenho de PIS/Cofins, IRRF sobre rendimentos de capital e do IOF. IRPJ e CSLL somaram R$ 64,893 bilhões, alta real de 7,73%. A arrecadação previdenciária chegou a R$ 62,7 bilhões, crescimento real de 4,83% explicado pelo aumento da massa salarial (3,61% em março ante março de 2025) e pela alta de 9,18% na arrecadação previdenciária do Simples Nacional em abril. A reoneração escalonada da contribuição patronal a partir de janeiro de 2025 também é apontada como fator relevante.

O IRRF sobre rendimentos do capital teve salto expressivo: R$ 13,2 bilhões, crescimento real de 25,45%, influenciado por aumento de 28,40% na arrecadação de aplicações de renda fixa e alta de 94,74% na arrecadação com juros sobre capital próprio (JCP). Esses movimentos indicam não apenas maior receita, mas uma mudança na composição das fontes de arrecadação, com peso crescente de tributos relacionados a capital e contribuições sobre folha.

Do ponto de vista fiscal, o resultado fornece folga adicional às contas públicas e melhora momentaneamente a trajetória de receitas, o que pode reduzir pressão sobre a execução orçamentária no curto prazo. Ao mesmo tempo, a concentração do ganho em itens que podem ser voláteis — e a reoneração da folha que eleva custos para municípios e empregadores — acendem um alerta: a melhora não garante sustentabilidade permanente da base tributária. O dado reforça a necessidade de disciplina na gestão de despesas e de uma estratégia clara para manter receita estável sem transferir custos excessivos ao setor produtivo.