A arrecadação de tributos do governo federal alcançou novo patamar histórico em março: R$ 229,2 bilhões, informou a Receita Federal. O valor é o maior para o mês desde o início da série histórica e representa um crescimento real de 4,99% sobre março de 2025.

No acumulado do primeiro trimestre, o Fisco registrou R$ 784,2 bilhões, alta real de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Receita, o avanço foi puxado, principalmente, pela contribuição previdenciária e pelo desempenho do PIS/Cofins, IRRF sobre capital e do IOF.

O destaque é o IOF: em março a arrecadação somou R$ 8,3 bilhões, alta real de 50,06% mês a mês, e subiu 44,45% no trimestre em comparação ao primeiro trimestre de 2025. A própria Receita atribui parte desse salto a alterações legislativas implementadas em junho de 2025, o que coloca no centro do resultado uma parcela de receita de caráter legislativo e, potencialmente, volátil.

Politicamente, o número dá fôlego às contas públicas no curto prazo, mas a composição da arrecadação acende alerta. Depender de ganhos derivados de mudanças fiscais e de tributos sensíveis a mercado e capitais reduz a previsibilidade da receita. O governo terá margem temporária, mas a sustentabilidade exige reformas estruturais e cautela na interpretação desses dados — trata-se de um retrato do momento, não de garantia de continuidade.