A rede de atacarejo Assaí reportou lucro líquido de R$86 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 46,7% na comparação anual. Incluindo novos créditos de PIS/Cofins, a empresa informa que o resultado ajustado alcança R$367 milhões. O Ebitda ajustado ficou em R$1,02 bilhão, praticamente estável em relação ao ano anterior, mas abaixo da mediana de mercado, que esperava R$1,39 bilhão.
A receita líquida somou R$18,64 bilhões entre janeiro e março, quase estável ante o mesmo período de 2025, porém inferior à projeção média de R$18,95 bilhões. As vendas mesmas lojas caíram 0,9% no trimestre, efeito que a própria companhia atribui à deflação em itens de alimentação básica, combinada com o patamar elevado de endividamento das famílias e as taxas de juros elevadas, que corroem o poder de compra.
No lado de custos, o balanço aponta R$2,1 bilhões em despesas com vendas, gerais e administrativas, aumento de 2,7% sobre um ano antes. A linha, segundo a empresa, evoluiu abaixo da inflação do período, mas representou 11,4% da receita contra 11,1% no início do ano passado — sinal de pressão sobre margens em ambiente de receita estagnada e custos pontuais.
A administração também citou efeitos externos, como o conflito no Oriente Médio, que elevaram preços de embalagens, produtos de limpeza e frete, pressionando custos operacionais. No plano de expansão, o Assaí abriu 141 lojas nos últimos cinco anos e encerrou o trimestre com alavancagem financeira de 2,52 vezes, ante 3,15 vezes em março de 2025; o indicador considera recebíveis descontados de R$666 milhões.
O conjunto dos números acende alerta para a estratégia de crescimento sustentado: a combinação de vendas fracas, deflação de alimentos e juros altos complica a narrativa de ganho de escala como alavanca automática de rentabilidade. A redução do endividamento oferece algum espaço de manobra, mas a empresa terá de ajustar preço, mix e eficiência para recuperar traction e atender às expectativas de mercado.