As atas da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de julho, divulgadas nesta quarta-feira, mostram que dirigentes do Federal Reserve debateram abertamente os riscos oriundos da volatilidade no mercado de Treasuries e os efeitos da rápida construção de infraestrutura para inteligência artificial. Alguns membros avaliaram formas de reduzir a probabilidade de episódios de movimentos bruscos nos preços dos títulos.

O documento registra que os rendimentos nominais dos Treasuries subiram parcialmente em função de comunicações do Comitê interpretadas como mais restritivas do que o esperado. A ata também cita o aumento dos preços de insumos ligados a data centers — chips, aço — e de bens de consumo relevantes para esse ecossistema, além de energia e software. Na prática, esses custos podem agregar uma fonte adicional de pressão sobre a inflação.

Dirigentes alertaram para vulnerabilidades relacionadas ao financiamento da expansão acelerada da IA e ao alto nível de valorização de ações ligadas à tecnologia. A preocupação é que uma correção significativa nos preços desses ativos provoque uma reprecificação mais ampla e aperte as condições financeiras. Participantes também ressaltaram riscos de cibersegurança associados às novas infraestruturas.

Para os mercados, a combinação de rendimentos mais altos e esse tipo de risco setorial força uma reavaliação de preços e prazos, enquanto a decisão do Tesouro norte-americano de recomprar dívida de longo prazo é interpretada como tentativa de conter os yields. O movimento reforça a necessidade de vigilância das autoridades: choques em Treasuries ou uma correção na bolha de IA podem amplificar o aperto financeiro global, com impactos sobre emergentes e custos de financiamento privados.