A segunda maior refinaria russa, Kirishinefteorgsintez, interrompeu o processamento depois de ataques com drones que danificaram três das quatro unidades de destilação de petróleo bruto (CDU), disse à Reuters duas fontes da indústria sob anonimato. O governador de São Petersburgo informou que houve incêndio em uma zona industrial na cidade de Kirishi; a empresa controladora, Surgutneftegaz, não comentou imediatamente.

A unidade tem capacidade nominal de 20 milhões de toneladas métricas por ano (cerca de 400 mil barris por dia) e vinha processando cerca de 18 milhões de toneladas nos últimos anos — equivalente a aproximadamente 7% do refino russo. A refinaria é um fornecedor relevante de diesel tanto para o mercado interno quanto para exportação, o que torna a paralisação comercialmente e politicamente sensível.

Os ataques com drones de longo alcance fazem parte de uma ofensiva ucraniana contra infraestrutura energética e logística russa nas últimas semanas. Moscou classifica essas ações como terrorismo; Kiev afirma que age em legítima defesa para enfraquecer a capacidade de sustentação da economia de guerra russa. Analistas ouvidos no material-base dizem ser difícil estimar o tempo necessário para reparos, já que as CDUs são componentes centrais e complexos de qualquer refinaria.

Do ponto de vista econômico, a parada de Kirishi acende alerta sobre o risco de aperto na oferta de derivados e eventual pressão sobre preços e receitas de exportação. Politicamente, expõe a vulnerabilidade de ativos industriais profundos no território russo e amplia o custo logístico da estratégia de manutenção da capacidade de guerra. A incerteza sobre o prazo de recuperação também pode obrigar operadores a redistribuir volumes e a recalibrar contratos de venda, com impacto nos fluxos de comércio e na receita fiscal ligada ao setor.