Uma pesquisa bienal da consultoria Aon coloca ataques cibernéticos e violação de dados no topo da lista de preocupações das empresas em todo o mundo. Segundo o levantamento, quase 90% das companhias já estão desenvolvendo planos de mitigação voltados a incidentes cibernéticos, enquanto 13% afirmam ter sofrido perdas diretas por ataques de hackers. O estudo ouviu 2.941 respondentes em 63 países e cobriu 16 setores, reforçando o peso do tema na agenda corporativa global.
O resultado, porém, traz uma contradição relevante: apesar da atenção crescente à cibersegurança, as perdas mais significativas reportadas recentemente têm origem em fatores distintos. Interrupção de negócios respondeu por 30,7% das perdas, e a desaceleração econômica por 53,7%. Esses números indicam que choques operacionais e macroeconômicos continuam a representar impacto financeiro superior, o que exige das empresas equilíbrio entre proteção digital e resiliência operacional.
A pesquisa também chama atenção para riscos que já se materializam regionalmente: variação cambial afetou 67,6% das empresas, mudanças climáticas e desastres naturais impactaram 45,2% e 41,4% das organizações, respectivamente. Para os próximos três anos, preocupações com preço de commodities, escassez de materiais e volatilidade geopolítica — impulsionada, entre outros fatores, pela instabilidade no Oriente Médio — ampliam o espectro de riscos interconectados que exigem planejamento integrado.
Do ponto de vista prático, o levantamento acende alerta para a necessidade de gestão de riscos mais ampla: aumentar investimentos em cibersegurança é imprescindível, mas não pode substituir medidas de contingência contra interrupções operacionais, hedge cambial e estratégias frente a choques econômicos. Para empresas e formuladores de políticas, o desafio é estruturar respostas que preservem eficiência e responsabilidade fiscal, reduzindo vulnerabilidades financeiras sem perder competitividade.