Os recentes ataques físicos e cibernéticos a centros de dados na região do Golfo, atribuídos ao Irã e com resposta dos Estados Unidos, revelam uma vulnerabilidade estratégica da economia digital. Ao menos cinco instalações foram atingidas; imagens de satélite indicam danos significativos a um data center da AWS no Bahrein, que registra interrupções desde 30 de abril.
A Guarda Revolucionária iraniana publicou uma lista com cerca de 29 alvos tecnológicos regionais, citando empresas como Amazon, Google, Microsoft, Nvidia e Palantir. A retaliação norte-americana, com ataques a centros de dados iranianos, marca uma nova fase do conflito: em 2026, ofensivas físicas contra infraestrutura de nuvem deixaram de ser apenas uma possibilidade.
A ambição dos países do Golfo de se transformar num terceiro polo de IA — com iniciativas como o projeto Stargate e compromissos bilionários vinculados a parceiros americanos — fica diretamente exposta. Juntos, os Emirados, Arábia Saudita e outros governos comprometeram mais de US$2 trilhões em investimentos relacionados à IA, uma aposta que agora enfrenta custo maior de proteção e risco de perda de confiança.
Para governos e empresas, a consequência é prática e econômica: ativos privados de computação se tornaram peças sensíveis de estratégia militar e diplomática. Isso obriga revisão de políticas de segurança, seguros e regulação, além de levantar um alerta sobre o preço da integração entre capital, tecnologia e geopolítica na era da inteligência artificial.