BRASÍLIA, DF – Um segundo ataque hacker atingiu unidades de refrigeração em vários países da Europa no início desta semana. Em alguns pontos, invasores elevaram a temperatura até 50ºC, causando perdas de alimentos em supermercados e lojas.

Na França, o Serviço Francês de Sangue (EFS) confirmou que equipamentos de refrigeração de bolsas de sangue — que atendem mais de 1 mil hospitais — foram invadidos. O problema foi identificado em estágio inicial e não resultou em perdas, segundo relato das autoridades. O episódio sucede outro ataque no país no mês passado que comprometeu unidades de refrigeração em centenas de supermercados, provocando incêndios e prejuízos.

Qualquer dispositivo conectado à Internet que não tenha proteções suficientes estão mais ameaçados do que nunca

Os casos mostram um padrão: aparelhos físicos conectados à internet ficam expostos a ações remotas. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que, no Brasil, controladores de refrigeração, câmeras de segurança, equipamentos hospitalares, sensores industriais e guindastes automatizados podem virar pontos de entrada para criminosos.

Roberto Toscani, CISO da empresa de cibersegurança Tripla, destaca que muitos desses dispositivos ficam acessíveis a fabricantes, prestadores de serviço e terceirizados para manutenção remota, e frequentemente operam com software desatualizado, autenticação fraca e sem ferramentas de monitoramento capazes de detectar comportamentos anômalos.

Marcos Simplicio, da Escola Politécnica da USP, ressalta que a inteligência artificial tem ampliado a capacidade dos atacantes de identificar e explorar falhas existentes, tornando a ameaça mais intensa. No setor de saúde, além de refrigeradores de vacinas e bolsas de sangue, aparelhos como tomógrafos, ressonâncias e equipamentos de laboratório também estão potencialmente vulneráveis, o que pode gerar danos físicos e financeiros mesmo sem acesso a dados sensíveis.

Na prática não mudou muito o cenário de vulnerabilidade (as brechas que atacantes podem explorar), mas sim a ameaça (ou seja, a quantidade de esforço colocado em identificar e explorar vulnerabilidades existentes, usando IA)