A consultoria Datagro projeta que as importações de gasolina do Brasil devem saltar mais de 170% em abril na comparação anual, chegando a cerca de 309 milhões de litros. Apesar de uma queda de 7,9% ante março — mês em que os desembarques chegaram a 335,6 milhões de litros — o volume previsto reforça um primeiro trimestre marcado por compras externas elevadas, superior a 1 bilhão de litros e crescimento de 66,2% sobre 2025.
Segundo a Datagro, distribuidoras importaram mais para repor estoques e atender demanda que segue aquecida. O relatório aponta também para a forte presença da Rússia: quase 60% da gasolina importada em março veio de lá, enquanto o lineup de abril reserva 936,7 milhões de litros de diesel (76,6%) e 160,9 milhões de litros de gasolina de origem russa. A flexibilização de sanções por parte dos EUA frente ao conflito no Irã e a extensão temporária de isenções até 16 de maio sustentaram esse fluxo.
No caso do diesel, a consultoria estima 1,22 bilhão de litros em abril, alta de 19,4% frente a março, mas queda de 14,8% na comparação anual. A Petrobras informou manter produção elevada nas refinarias para reduzir a necessidade de importações, e outra consultoria, a StoneX, projeta leve retração nas compras externas de diesel em 2026, apoiada por maior produção nacional e aumento esperado de biodiesel (alta prevista de 7,2% para 10,4 bilhões de litros).
O quadro traz implicações claras: a dependência crescente de fornecedores externos, notadamente da Rússia, aumenta a exposição do país a choques logísticos e geopolíticos e pode pressionar a balança comercial em momentos de preços elevados no mercado internacional. Paralelamente, a decisão da Petrobras de elevar produção reduz parte desse risco, mas não elimina a vulnerabilidade de curto prazo.
Há, ao mesmo tempo, elementos que podem reduzir a necessidade de gasolina importada nos próximos meses. A Datagro e analistas do setor sinalizam que a safra do centro-sul deve ampliar oferta de etanol e pressionar o preço do combustível na bomba — Cepea registrou queda superior a 7% no preço do etanol nas usinas de São Paulo na última semana — com efeito de alívio esperado a partir de maio ou junho. Ainda assim, o momento atual exige acompanhamento: o retorno de volumes russos ao mercado e a incerteza internacional mantêm o tema entre prioridades para formuladores e agentes do setor.