O governo informou que a deliberação sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% deve ocorrer na primeira quinzena de junho, em reunião do CNPE. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Rosa, qualificou a votação como mera formalidade, afirmando que a medida já conta com apoio interno e foi previamente anunciada pela equipe ministerial.

A elevação da mescla entra no conjunto de ações para mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre os preços domésticos de combustíveis. O governo também sinalizou planos para subvencionar valores, o que tende a limitar o repasse imediato para o consumidor, mas levanta a necessidade de transparência sobre prazos e magnitude desses subsídios e seu impacto fiscal.

Do ponto de vista da oferta, a região Centro-Sul, principal produtora de etanol, projeta safra favorável e maior direcionamento de cana para biocombustível — além do avanço do etanol de milho —, fatores que sustentam a viabilidade técnica do E32. O ministro ressalvou, porém, que um aumento adicional para 35% depende de estudos complementares.

Politicamente, a medida sinaliza pragmatismo do governo na gestão dos preços de energia, mas expõe um balanço entre alívio imediato ao consumidor e custo fiscal. A formalização no CNPE também funciona como teste institucional: aprovação sem debate mais amplo pode reduzir atritos no curto prazo, porém aumentará a cobrança por clareza sobre os mecanismos de compensação e seus reflexos sobre contas públicas.