Ao abrir a 82ª Assembleia Geral da IATA, o vice‑presidente Geraldo Alckmin afirmou que os problemas que atingem a aviação são de alcance global e dependem de uma resposta coordenada entre países. O fechamento do Estreito de Ormuz e a elevação do preço do petróleo pressionaram o valor do QAV — combustível que já responde por 46% das despesas operacionais das companhias, segundo a Abear.
No plano doméstico, o governo buscou reduzir o impacto imediato: zerou alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível de aviação e estruturou linhas emergenciais de crédito via BNDES. Uma das linhas usa recursos do FNAC e prevê até R$ 2,5 bilhões por mutuário para reestruturação; há ainda uma linha de capital de giro com R$ 1 bilhão e prazo curto de pagamento.
As medidas aliviam o fluxo de caixa das empresas, mas têm caráter temporário. A isenção tributária reduz receitas do Tesouro e as linhas de crédito transferem parte do risco ao setor público, sem atacar vulnerabilidades estruturais como exposição a choques externos, eficiência operacional e dependência de mercados internacionais para insumos e logística.
Politicamente, a reação do Executivo mostra capacidade de intervenção rápida, mas também expõe limites da estratégia: sem coordenação multilateral e reformas setoriais, o setor seguirá sujeito a oscilações de preço e a riscos que uma política doméstica isolada não resolve. No discurso, Alckmin deixou claro que a saída passa por ação conjunta entre países — um recado que, na prática, exige negociações longas e concessões multilaterais.