As ações da Azzas deram um salto nesta quarta-feira, impulsionadas pela reorganização societária que colocou a Farm Rio em uma estrutura separada. Os papéis chegaram a subir 18% no pregão e fecharam com alta de 12,62%, cotados a R$ 16,33 — movimento atribuído à antecipação, pelo mercado, de propostas pelo ativo.

A operação prevê que a Farm Rio passe a integrar uma sociedade específica, com participação de 57,4% da Arezzo&Co (ligada a Alexandre Birman) e 42,6% do Grupo Soma (bloco de Roberto Jatahy). Fontes do mercado e gestores consultados pela praça dizem que o banco que conduz o processo fixou o fim de setembro como prazo para apresentação de propostas não vinculantes, o que ajuda a explicar a pressão compradora.

Analistas avisam, porém, que há diferença entre interesse e fechamento. Para André Matos, da MA7 Capital, a reação não veio por anúncio formal, mas por lógica de mercado: quando o prazo se aproxima e não há notícias, investidores antecipam um desfecho, especialmente porque avaliações da Farm isolada podem superar o valor da Azzas antes do rali. Sidney Lima, da Ouro Preto, lembra que a concretização depende de ofertas vinculantes.

Se a venda avançar com valuation elevado, especialistas apontam impactos concretos: reforço de caixa, redução de alavancagem e possibilidade de distribuição extraordinária de capital — Gabriel Magno, da AW Capital, estima que um dividendo complementar poderia equivaler a cerca de 50% do preço atual da ação. Resta, porém, o risco de a expectativa esfriar na ausência de propostas formais, deixando o papel exposto a realização de lucros e mais volatilidade.