A B3 começou nesta segunda-feira (27) a negociação de seis contratos de eventos, derivativos cujo desfecho depende do comportamento de variáveis de mercado — entre elas Ibovespa, dólar e bitcoin. A companhia informou que os produtos foram autorizados pela CVM e, inicialmente, estarão disponíveis apenas para investidores profissionais (mais de R$ 10 milhões em ativos ou certificação da autarquia).

Segundo a bolsa, a estrutura desses contratos preserva características típicas do ambiente regulado: liquidação exclusivamente financeira, formação de preço em tela e garantia de contraparte. Na prática, os instrumentos se aproximam de opções tradicionais, mas trazem pagamento fixo, ganho potencial conhecido desde o início da operação e risco limitado para compradores e vendedores.

O lançamento acontece depois do movimento do governo para proibir plataformas de mercados preditivos, citando empresas como Kalshi e Polymarket, e da resolução do CMN que vetou derivativos atrelados a eventos esportivos, jogos online e resultados políticos. A nova edição de contratos foi desenhada para se enquadrar nas restrições — ao focar indicadores econômicos e financeiros — e assim escapar da vedação genérica.

Do ponto de vista político e econômico, a iniciativa revela o esforço do mercado por inovação dentro dos limites regulatórios. Ao mesmo tempo, levanta dúvidas sobre coerência: proibir mercados preditivos enquanto instrumentos similares aparecem em ambiente controlado expõe tensão entre discurso público e prática regulada. A restrição a investidores profissionais reduz riscos, mas também limita liquidez e acesso, colocando CMN e CVM na linha de frente para fiscalizar transparência e limites.