Dados do FGV Ibre mostram queda de 0,5% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre — sinal de que um problema crônico da economia brasileira permanece sem solução. No plano internacional, o país perdeu sete posições no ranking de competitividade IMD/Fundação Dom Cabral e agora figura em 65º lugar entre 70 economias.

O balanço setorial confirma a assimetria conhecida: o agronegócio continua a elevar sua eficiência, enquanto indústria e serviços seguem estagnados. Como os serviços têm maior peso no PIB, a paralisação dessa frente puxa para baixo o desempenho agregado e limita a retomada da produtividade em toda a economia.

Especialistas destacam causas estruturais: formação escolar deficiente (lacunas em matemática e língua), elevada informalidade que dificulta a qualificação da mão de obra, gargalos logísticos e uma carga tributária que encarece a operação das empresas. Esses elementos se combinam e reduzem a capacidade competitiva do país.

A taxa básica de juros em 14,25% também pesa: ao elevar o custo de capital, desestimula investimentos produtivos e postergam modernização e adoção de tecnologia. O resultado é uma economia menos atraente para investimentos de maior porte e com menor capacidade de melhorar produtividade por meio da inovação.

A perda de posições no ranking não é só estatística: traduz menor potencial de geração de renda, pressiona salários e complica o cenário político. Reverter o quadro exige escolha estratégica de longo prazo — foco em educação, reformas institucionais, logística e redução de custos — e ação coordenada que, até aqui, tem sido insuficiente.