A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,247 bilhões na primeira semana de junho, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC divulgados nesta segunda (8). O resultado decorreu de exportações de US$ 7,991 bilhões ante importações de US$ 4,745 bilhões, um avanço de 37,6% nas vendas externas na comparação com a mesma semana de 2025.
O desempenho setorial foi generalizado: agropecuária subiu 36,6%, para US$ 1,8 bilhão; indústria extrativa cresceu 38,5%, a US$ 1,7 bilhão; e indústria de transformação avançou 37,6%, alcançando US$ 4,3 bilhões. Do lado das importações, houve alta moderada de 2,3%, com destaque para indústria extrativa (+41,6%) e agropecuária (+8,0%).
No acumulado de janeiro até a primeira semana de junho, o saldo positivo chega a US$ 35,9 bilhões, alta de 38,2% frente a igual período de 2025 (US$ 30,1 bilhões). O MDIC mantém projeção de superávit de US$ 72,1 bilhões para 2026.
O resultado oferece alívio momentâneo para a conta externa e pode atenuar pressões sobre o câmbio, mas não elimina riscos estruturais. A forte participação da agropecuária e da indústria extrativa evidencia vulnerabilidade a variações de preços e demanda nos mercados internacionais, o que pode reverter ganhos com rapidez.
Para transformar o fôlego atual em trajetória sustentável é preciso ampliar o conteúdo tecnológico das exportações, diversificar destinos e acelerar reformas que melhorem competitividade. Sem essas mudanças, o superávit tende a ser um alívio temporário, não uma mudança duradoura de padrão.