O Banco BV apresentou lucro líquido recorrente de R$ 481 milhões no primeiro trimestre, praticamente estável (alta de 0,2% na comparação anual). As receitas totais somaram R$ 3,1 bilhões (crescimento anual de 4,4% e recuo de 1% ante o trimestre anterior), enquanto a margem financeira bruta ficou próxima de R$ 2,4 bilhões. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 102,1 bilhões, com avanço de 13% em 12 meses e de 4,6% no trimestre.
O ponto de atenção ficou com o custo do crédito, que saltou 48,9% em relação ao ano anterior e 25,2% no trimestre, chegando a quase R$ 1,3 bilhão. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,7% (de 4,3% um ano antes) — patamar também igual ao do 4º trimestre de 2025 — e o banco atribuiu parte do efeito a um evento pontual no atacado já parcialmente provisionado. O impacto elevou provisões e comprimU a rentabilidade.
Mesmo com a pressão sobre custos, o BV registrou desempenho comercial: a originação de financiamentos de veículos bateu recorde, com R$ 8,5 bilhões (alta de 42,9% em 12 meses e 5,1% no trimestre), demonstrando capacidade de ganho de mercado. Ainda assim, o crescimento da carteira convive com margem pressionada e queda leve na eficiência trimestral.
O retorno sobre patrimônio (ROAE) ficou em 15,5%, ante 16% no ano anterior, e o índice de Basileia fechou em 15% (capital principal em 11,2%). Para acionistas como Votorantim e Banco do Brasil, o balanço mostra escala e crescimento em segmentos estratégicos, mas também exige gestão mais rigorosa de risco de crédito e eficiência operacional para recuperar margem e sustentar a rentabilidade no curto prazo.