A possibilidade de o Banco Central acelerar cortes da taxa Selic a partir de dezembro ganhou nova leitura após a análise da Quantitas: o comunicado mais recente do Copom trouxe poucas alterações, mas pequenas mudanças de tom apontaram numa direção mais suave. Para o economista-chefe Ivo Chermont, o BC manteve postura cautelosa diante de dois vetores relevantes: o processo eleitoral e a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

A Quantitas observa que o documento do Copom ressaltou de forma mais clara a desaceleração generalizada da atividade e mostrou nuances que indicam convergência da inflação para patamares menores. Ainda assim, a instituição entende que o BC prefere aguardar desdobramentos, porque a reunião de novembro ocorrerá imediatamente após o pleito de 25 de outubro — prazo curto para que eventuais sinais do novo governo se reflitam nos indicadores.

Por isso, a janela de dezembro aparece como o momento mais plausível para acelerar cortes, caso o presidente eleito envie sinais fiscais considerados positivos. Segundo a análise, descompressão do prêmio de risco, do câmbio e das expectativas de inflação permitiria ao Copom ritmo mais ousado: cortes de 50 pontos‑base são apontados como cenário plausível, sem comprometer os ganhos recentes sobre a inflação.

A advertência da Quantitas também é política: se a atividade desacelerar, mas a inflação se mantiver acima da meta, o BC tende a priorizar o controle de preços — lembrando o exemplo de 2015 –, reduzindo espaço para cortes. Em suma, o calendário eleitoral e as escolhas fiscais do próximo governo terão impacto direto sobre a trajetória dos juros e sobre o custo do ajuste para a economia e para a gestão econômica futura.