O Banco da Amazônia registrou lucro líquido de R$ 47,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma retração de 84,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados na sexta-feira (15). O resultado revela perda expressiva de rentabilidade num momento em que o banco precisa manter seu papel de fomento na região Norte.

A inadimplência acima de 90 dias saltou para 5,39% em março, ante 2,92% um ano antes. A instituição relacionou a piora à volatilidade cambial e seus efeitos sobre o mercado de commodities, ao ambiente de juros elevados, ao aumento do preço do petróleo e a impactos indiretos de tensões geopolíticas. O crescimento de operações em recuperação judicial no segmento empresarial forçou constituição de provisões adicionais.

No trimestre, as contratações de crédito caíram 5,8%, totalizando R$ 4,0 bilhões. As operações do FNO recuaram para R$ 2,6 bilhões ante R$ 2,8 bilhões no mesmo intervalo de 2025. A combinação entre menor demanda e maior risco reduz a capacidade de financiamento do banco, o que pode comprometer investimentos produtivos e projetos de desenvolvimento regional.

O retorno sobre o patrimônio (ROAE) também recuou, para 12,2% em março, frente a 19,6% um ano antes. O cenário acende alerta sobre a sustentabilidade do balanço e sobre a margem de manobra do banco para suportar choques externos. Para o setor público e para os agentes econômicos do Norte, a leitura é clara: pressiona-se a necessidade de ajustes de risco e de políticas que mitiguem os vetores macroeconômicos que têm corroído a carteira.