O Banco da Amazônia (Basa) encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 1,11 bilhão, recuo de 2,4% ante 2024. Segundo a administração, o resultado foi obtido em meio a condições financeiras mais restritivas e à maior pressão sobre a inadimplência, cenário que atinge em particular clientes do setor agropecuário.
A inadimplência de operações com mais de 90 dias subiu para 4,67% ao final do ano, ante 2,15% um ano antes, segundo o release de resultados. O salto do índice, em um banco cujo papel de fomento à região é central, eleva o risco de crédito e reduz a margem de manobra para novas operações em um momento de contração do ambiente macroeconômico.
Apesar do aumento do risco, a carteira total alcançou R$ 66,8 bilhões, avanço de 20,4%, e as contratações de crédito somaram R$ 23,8 bilhões, alta de 31%. As operações de fomento representaram R$ 20,2 bilhões contratados (alta de 30%). As receitas totais cresceram 22,3%, mas o ROAE caiu para 16,2% e o índice de Basileia recuou levemente para 13,28%. O índice operacional ficou em 35,6%, com despesas administrativas subindo 37,5%, para R$ 1,7 bilhão.
O balanço evidencia um dilema clássico de bancos públicos de desenvolvimento: expandir o crédito para sustentar a atividade regional enquanto gerencia deterioração de qualidade e custos crescentes. A diversificação de funding e o crescimento da carteira são positivos, mas a elevação da inadimplência e dos gastos obriga a instituição a ajustar controles de risco e eficiência para preservar capital e manter sua missão sem transferir custos ao contribuinte.