O Banco de Israel anunciou nesta segunda-feira a redução da taxa básica de juros de 4% para 3,75%, a primeira desde janeiro. A autoridade monetária justificou o movimento pela inflação anual em 1,9% — dentro da meta de 1% a 3% — e pela forte valorização do shekel, que ajudou a conter pressões inflacionárias.
A decisão sucede cortes já feitos em novembro e janeiro e segue projeção prévia do banco de ao menos mais um alívio, com expectativa técnica de uma taxa em torno de 3,5% até o início de 2027. Apesar disso, o BC deixou claro que futuros cortes serão graduais e condicionados aos próximos dados econômicos.
O anúncio expõe tensão política: o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, classificou o recuo de 0,25 ponto como insuficiente e tardio, defendendo um afrouxamento maior para dar alívio a exportadores, famílias e empresas. A crítica evidencia pressão do Executivo por uma política monetária mais frouxa, enquanto o banco prefere prudência.
Do ponto de vista econômico, a apreciação do shekel tem dois efeitos claros: ajuda a domar a inflação importada, abrindo espaço para reduzir juros, mas também reduz a competitividade de exportadores. A mensagem do BC é de equilíbrio — há margem para aliviar a política monetária, mas o ritmo dependerá da evolução da inflação e dos riscos geopolíticos.