O Banco Mundial projetou um aumento de 24% nos preços da energia em 2026 na hipótese considerada central, cenário que já o colocaria no nível mais alto desde a invasão russa à Ucrânia. No relatório Commodity Markets Outlook divulgado nesta terça, a instituição ressalta que a estimativa assume um retorno gradual do transporte pelo Estreito de Ormuz até outubro, mas admite que os riscos estão “notavelmente inclinados” para altas adicionais caso as hostilidades se intensifiquem.

O relatório aponta mecanismos claros do choque: ataques a infraestrutura energética e interrupções no tráfego pelo Estreito — que antes do conflito respondia por 35% do petróleo bruto transportado por via marítima — reduziram oferta e elevaram prêmios de risco. A previsão do banco eleva a média do barril Brent para US$ 86 em 2026 (ante US$ 69 em 2025) e admite um cenário de até US$ 115 por barril se instalações críticas sofrerem maiores danos; contratos futuros já negociavam perto de US$ 109.

O impacto se espalha para outras commodities: o Banco Mundial estima alta de 16% nos preços gerais em 2026, com os fertilizantes subindo 31% — reflexo de uma previsão de salto de 60% no preço da ureia. Isso alimenta pressões sobre alimentos e rendimento dos produtores, e o Programa Mundial de Alimentos calcula que mais 45 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar aguda caso a guerra se prolongue.

Do ponto de vista macro, as consequências são claras e mais duras para países vulneráveis: inflação média de 5,1% nas economias em desenvolvimento em 2026 (ante 4,7% no ano anterior) e crescimento revisado para 3,6% — abaixo da estimativa pré‑guerra de 4%. Para governos com contas frágeis, o choque complica metas fiscais, pressiona taxas de juros e encarece o serviço da dívida, exigindo ajustes e políticas de proteção social para mitigar o impacto sobre os mais pobres.