Um grupo de bancos internacionais, entre eles NatWest, Bank of America, ING, ASB Bank, Capital One e Commonwealth Bank of Australia, emitiu um alerta sobre o comércio conduzido por agentes de inteligência artificial. Empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta estão promovendo chatbots capazes de selecionar e até comprar produtos em nome dos consumidores, enquanto varejistas já tentam orientar as recomendações desses sistemas — a britânica John Lewis reportou salto de 0,3% para 2,5% nas buscas geradas por agentes de IA em um ano.
No relatório, os bancos dizem que consumidores veem potencial na tecnologia, mas também receio: não sabem se o agente agirá a seu favor, teme-se compra errada ou gastos excessivos e, especialmente, exposição a golpes. Entre os riscos técnicos citados estão agentes que solicitam dados de cartão, preenchem pagamentos automaticamente ou direcionam para formas de pagamento com proteções mais fracas, ampliando a janela para fraudes e vazamentos.
A resposta proposta pelo setor financeiro inclui exigir que fique claro quando um agente de IA participa de uma transação, maior transparência sobre como decisões são tomadas, medidas de segurança para proteger dados e garantia de escolha por parte de consumidores e comerciantes, além de interoperabilidade entre sistemas. Os bancos sinalizam que vão levar essas propostas a formuladores de políticas para atualizar normas que, na visão do grupo, ficaram para trás diante da velocidade da inovação.
O relatório acende alerta para autoridades e para a indústria: sem regras e padrões, a expansão do comércio por IA pode transferir custos — financeiros e reputacionais — para consumidores, instituições e Estado. Reguladores terão de definir responsabilidades, exigir padrões de segurança e clarificar mecanismos de ressarcimento; caso contrário, além do aumento de fraudes, a adoção poderá travar por perda de confiança, o que tem custo político e econômico direto.