A transmissão da política monetária restritiva para a economia brasileira ficou mais visível no segundo trimestre de 2026. Segundo o Monitor RGF-Bizdoc, os pedidos de recuperação judicial subiram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para Lucas Pena, CEO da Pact, esse movimento tem levado entidades bancárias a agir com mais cautela na concessão de crédito.
Pena aponta que o salto nas recuperações reflete incertezas macroeconômicas e falhas de transparência em alguns balanços — casos recentes como o das Casas Bahia e referências públicas a problemas de divulgação de dados, na linha do episódio das Lojas Americanas, reforçam a preocupação dos credores. Ao mesmo tempo, ele cita recuperações bem-sucedidas, como a do Dia, que mostram caminhos possíveis para recomposição operacional.
O efeito prático, segundo o executivo, é que bancos estão revisitando processos de análise e exigindo documentação mais robusta. Não se trata apenas de reajuste de taxas: é uma alteração na diligência e na avaliação de viabilidade. Essa maior rigorosidade tende a aumentar a insegurança para empresas que dependem de renovação de crédito, sobretudo pequenas e médias com menor capacidade de suportar juros elevados.
Para o mercado, o sinal é duplo: por um lado, há mecanismos legais — as RJs — que podem permitir reestruturação; por outro, a combinação de aperto monetário, disrupção tecnológica no varejo e balanços pouco claros pressiona a oferta de crédito. Especialistas ouvidos pela Pact avaliam que, se persistir, a cautela bancária pode restringir o ritmo de financiamento e exigir maior transparência e governança das companhias afetadas.