Os balanços do primeiro trimestre deixaram claro que os grandes bancos privados continuam a gerar lucro robusto — Itaú, Bradesco e Santander somaram R$ 22,9 bilhões, alta de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o quadro mostra alterações importantes: a aceleração de resultados do setor perdeu ímpeto em relação ao final de 2025, e a mensagem dos administradores foi mais cautelosa do que nos trimestres anteriores.

No topo do ranking, o Itaú registrou lucro recorrente de R$ 12,28 bilhões (+10,4% ano a ano) e ROE de 24,8%, nível não visto há mais de uma década. Mesmo assim, a carteira de crédito desacelerou para cerca de 7% em 12 meses e o banco apontou piora em indicadores iniciais de atraso, principalmente entre pequenas e médias empresas — um sinal de fragilidade que tende a antecipar ajustes se os juros permanecerem altos.

O Bradesco reportou lucro de R$ 6,81 bilhões (+16%) e ROE de 15,8%, mas viu a expansão do crédito cair para 8% em 12 meses e registrou alta leve na inadimplência acima de 90 dias, para 4,2%. O aumento do custo de risco, influenciado por um episódio no segmento corporativo e pela deterioração na carteira massificada, levou a instituição a sinalizar maior seletividade na concessão de empréstimos.

O Santander foi o caso mais explícito de desconforto: lucro de R$ 3,78 bilhões, queda de 2% em 12 meses, ROE de 16% e crescimento de crédito de apenas 3% no ano. A elevação da inadimplência para 3,3% e o impacto nas provisões reforçam que o setor começa a pagar o preço de um ambiente com Selic elevada, pressão inflacionária por choques externos e menor dinamismo da economia.

O conjunto de resultados indica que a rentabilidade permanece elevada, mas que o espaço para expansão fácil do crédito está se estreitando. Para clientes e empresas, isso significa acesso mais seletivo e potencial aumento no custo do crédito. Para o mercado, reforça a necessidade de monitorar provisões, qualidade de ativo e o efeito da política monetária prolongada sobre a recuperação do consumo e do investimento.