O Banco do Brasil comunicou que, em dois dias de operação, renegociou mais de R$ 430 milhões em dívidas de clientes. Cerca de metade desse montante está vinculada ao Novo Desenrola, o programa federal lançado para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, com objetivo de reduzir juros e alongar prazos.

No segmento pessoa física, o banco destacou que foram renegociados R$ 10,4 milhões em 12.614 operações apenas no segundo dia de atendimento pelo Novo Desenrola. Para empresas, o BB contratou 1.611 operações — cerca de 1,6 mil empresas — nas linhas Pronampe e Procred, totalizando R$ 202,8 milhões de desembolso nesses dois dias.

Além das operações feitas sob o guarda-chuva do programa, o banco informou ter oferecido condições diferenciadas a clientes que não se enquadram no Desenrola: 22.258 renegociações com esse público, somando R$ 219,6 milhões. O governo estima disponibilizar até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos; a iniciativa ficará aberta por 90 dias.

A velocidade das renegociações mostra resposta operacional rápida do BB, mas também acende alerta sobre o impacto fiscal e a necessidade de monitoramento. O uso de garantias públicas para reduzir juros é legítimo como instrumento anticíclico, mas exige critérios transparentes para evitar custo elevado aos cofres e efeitos de distorção de crédito. O programa representa um alívio imediado para tomadores de empréstimos, mas levanta perguntas políticas e fiscais que o governo e bancos públicos terão de responder ao longo dos próximos meses.