O Banco Central classificou como “problema crescente” o superendividamento das famílias brasileiras no Relatório de Cidadania Financeira divulgado na segunda-feira (13). O documento cita dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor: em dezembro de 2024, cerca de 77% das famílias estavam endividadas — um retrato preocupante do aperto financeiro doméstico.

Na análise do BC, a combinação entre a facilidade de acesso ao crédito e a carência de educação financeira leva muitos consumidores a contrair dívidas que não conseguem honrar. O relatório também aponta falhas na oferta de crédito: produtos que não seriam adequados ao perfil do cliente e ausência de mecanismos de proteção eficientes são fatores que agravam a situação.

O cartão de crédito aparece destacado como um dos principais vetores do superendividamento. Segundo o Banco Central, a facilidade de uso do cartão, associada a altas taxas de juros, facilita consumo por impulso e eleva o risco de inadimplência. A crítica do BC coloca em foco tanto a responsabilidade das instituições financeiras quanto a necessidade de maior regulação e transparência nas condições de crédito.

O diagnóstico do BC acende um alerta para autoridades e para o mercado: o avanço do superendividamento tende a reduzir a capacidade de consumo das famílias e a pressionar indicadores sociais e econômicos. Para reverter o quadro, o relatório sugere reforçar educação financeira, fiscalizar a oferta de crédito e aprimorar mecanismos de proteção ao consumidor — medidas que exigem coordenação entre reguladores e poder público, sob custo político e econômico relevante se postergadas.