O Banco Central anunciou que avalia, ao longo deste ano, regras mais rígidas para a captação de recursos por meio de depósitos garantidos, com a intenção de estabelecer limites à alavancagem desses instrumentos. Em evento da Associação Brasileira de Fintechs, o diretor de Regulação, Gilneu Vivan, afirmou haver um “intenso debate” sobre o tema, citando os “eventos de 2025” como motivação para a agenda.

O movimento surge no rastro do colapso de instituições que exploraram de forma agressiva esses canais de captação: plataformas venderam títulos com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e carteiras de crédito com problemas levaram o FGC a desembolsar mais de R$ 40 bilhões. O episódio expôs fragilidades na estrutura de garantia e nos mecanismos de distribuição a investidores via plataformas digitais.

Além de limites de alavancagem, o Banco Central informou que pretende revisar regras de distribuição de ativos, a própria arquitetura do sistema de garantia e normas para combate a fraudes e fortalecimento da segurança cibernética. Vivan também apontou que restrições orçamentárias na autarquia têm comprometido a capacidade de resposta a um ambiente de fraudes mais dinâmico. A equipe técnica prevê ainda atualização de regras de tarifas e regulamentação de serviços de câmbio até o fim do ano.

Do ponto de vista do mercado, as medidas buscam restaurar confiança e reduzir o risco sistêmico, mas podem trazer custo: limites mais rigorosos tendem a encarecer fontes de financiamento alternativas e a pressionar modelos de negócios de fintechs e plataformas de investimento. O desafio para o BC será calibrar intervenção que eleve a estabilidade sem sufocar o canal de crédito que ampliou acesso nos últimos anos — um equilíbrio com impacto direto sobre custos, oferta de crédito e confiança dos investidores.