O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, elevando a Selic a 14,5% ao ano. A decisão foi unânime e alinhada às expectativas do mercado, que vêm se ajustando desde o início do conflito no Oriente Médio, há cerca de dois meses.

Apesar do corte, o comunicado do colegiado ressaltou a persistente incerteza externa e a necessidade de cautela: o Copom entende que o período prolongado de juros elevados já começou a transmitir efeitos de desaceleração à atividade econômica, o que permite calibrar o ritmo das reduções.

O ponto mais relevante para a política econômica foi a revisão das projeções de inflação: o BC agora estima IPCA de 4,6% em 2026 — acima do teto da meta — e ajustou também o horizonte relevante de 3,3% para 3,5% no fim de 2027. A mudança torna mais difícil a narrativa de queda sustentada da inflação e amplia a pressão sobre a coordenação entre política monetária e fiscal.

No mercado, o boletim Focus mostra que agentes continuam a ver espaço para cortes, mas as expectativas para inflação e Selic ao longo do ano se deterioraram. A reunião teve ainda três ausências no colegiado, um detalhe administrativo que não alterou o resultado, mas ressalta mudanças internas na diretoria do BC.