O Banco Central estimou que a dívida externa bruta do Brasil chegou a US$ 394,132 bilhões em março, ante US$ 392,722 bilhões em fevereiro, segundo o balanço de pagamentos. A composição mostra US$ 286,450 bilhões de dívida de longo prazo e US$ 107,682 bilhões de curto prazo, reforçando a relevância do perfil de vencimentos para a estabilidade financeira.

Os números mais recentes ainda revelam um quadro de pressão sobre os fluxos: até 20 de abril o fluxo cambial total estava negativo em US$ 4,121 bilhões, com o fluxo financeiro em -US$ 4,656 bilhões e o fluxo comercial levemente positivo em US$ 535 milhões. No canal financeiro, compras somaram US$ 33,318 bilhões contra vendas de US$ 37,974 bilhões no período, sinalizando saída líquida de recursos.

No comércio exterior, importações atingiram US$ 13,415 bilhões e exportações US$ 13,949 bilhões — neste total de exportações estão incluídos US$ 1,444 bilhão de adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 3,772 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 8,733 bilhões em outras operações. Além disso, a posição vendida dos bancos no mercado à vista estava em US$ 40,322 bilhões, um dado que amplia a sensibilidade a movimentos abruptos no câmbio.

O setor de serviços também pressiona: a conta de viagens internacionais teve déficit de US$ 1,056 bilhão em março (gastos de brasileiros no exterior de US$ 1,990 bilhão contra US$ 934 milhões de despesas de estrangeiros no Brasil) e acumula déficit de US$ 2,833 bilhões em 2026. Em conjunto, a elevação da dívida externa e os fluxos negativos acendem um alerta sobre maior vulnerabilidade a choques externos, potencial volatilidade cambial e custo maior de financiamento, exigindo atenção de política econômica para reduzir exposição e assegurar liquidez.