O Banco Central comunicou nesta sexta-feira (29) o encerramento da liquidação extrajudicial da Administradora de Consórcio Nacional Valor, em razão de sentença que declarou a falência da instituição. O aviso foi assinado pelo chefe do Departamento de Resolução e de Ação Sancionadora, Climério Leite Pereira.
A administradora havia entrado em liquidação extrajudicial em fevereiro de 2023, ato assinado pelo então presidente do BC, Roberto Campos Neto, diante de um quadro de insolvência patrimonial e irregularidades que afetavam a condução da atividade. Desde então, o caso transitou entre procedimentos administrativos e impasses judiciais.
A falência foi decretada pela 1ª Vara da Comarca de Itaperuna (RJ) em junho de 2025. Houve recursos, e em 17 de maio de 2026 os efeitos da sentença foram restabelecidos pelo desembargador Antonio Carlos Arrábida Paes, da Décima Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o que motivou o BC a encerrar a liquidação extrajudicial.
A mudança de regime — da liquidação extrajudicial para a falência — tem consequências práticas e políticas: cria incerteza sobre prazos e pagamentos a consorciados e credores, transfere parte das decisões para a esfera judicial e levanta questionamentos sobre a velocidade e eficácia da supervisão. Para o BC, a reversão judicial complica a narrativa de resolução pronta e impõe desafios operacionais e de comunicação.