O Banco Central aplicou uma medida prudencial preventiva ao BRB (Banco de Brasília) cerca de um mês antes de liquidar o Banco Master, em reação ao crescimento acelerado das operações envolvendo as duas instituições. A decisão, formalizada em outubro de 2025, teve como objetivo assegurar a solidez do banco regional, recompor liquidez e reforçar controles internos diante de sinais de risco provenientes da internalização de carteiras do Master.
A determinação exigiu que o BRB apresentasse, em até 30 dias, um plano de solução com atividades, prazos e a conciliação e validação dos ativos internalizados, com prazo máximo de conclusão de seis meses. O banco também passou a ser obrigado a enviar relatórios bimestrais de acompanhamento e a justificar o valor justo dos ativos adquiridos — medidas típicas de contenção quando há dúvida sobre a qualidade de carteiras absorvidas.
A área técnica do Departamento de Supervisão Bancária do BC justificou a intervenção pelo aumento das transações entre BRB e Banco Master desde o segundo semestre de 2024, sem análise criteriosa da qualidade dos ativos. Segundo o relatório técnico, o elevado apetite por aquisições gerou impactos nos limites operacionais e resultou no desenquadramento do índice de Basileia nos meses de janeiro e fevereiro de 2025. O documento também aponta registros contábeis lançados sem respaldo documental — a partir de um contrato de venda assinado apenas em março de 2025 — pendência que a supervisão determinou regularizar.
O relatório alerta ainda para falhas adicionais de controles e de governança que chegaram a materializar risco de liquidação do banco, sobretudo porque o principal cedente das carteiras era o próprio Banco Master. Apesar do indeferimento, pelo BC, de tentativa de aquisição de controle societário ligada ao Master, as transações de compra de carteiras teriam continuado, o que motivou a cautela do regulador.
A assinatura da decisão consta em documento assinado por Belline Santana, então chefe do departamento técnico — pessoa que, segundo apurações, está sob investigação da Polícia Federal por suspeita de consultoria informal a Daniel Vorcaro. Registros do próprio processo mostram ainda que, após a nota técnica, Belline aprovou a medida em 15 de outubro de 2025 e o BRB declarou cumprimento em 23 de outubro. A presença de um responsável sob investigação no fluxo decisório cria um ponto de tensão institucional sobre procedimentos e governança no interior da autoridade monetária.
Em resposta oficial, o BRB informou que a nova administração renovou a diretoria executiva, reforçou controles e contratou auditoria forense independente. O banco afirmou ter encaminhado os achados às autoridades competentes — Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público Federal, CVM e instâncias judiciais — e adotado medidas administrativas e judiciais para resguardar seus interesses. Para além das ações pontuais, o episódio deixa um rastro de questionamentos sobre fiscalização, integridade dos processos e o custo político e institucional de operações de concentração rápida de ativos.