O CEO da Bemobi, Pedro Ripper, afirmou que um Banco Central com independência e orçamento próprio é crucial para sustentar inovação no sistema financeiro, ao comentar a tramitação da PEC 65 no Senado. A proposta prevê autonomia orçamentária para a autoridade monetária; para Ripper, isso garante capacidade de investimento em novas plataformas e ferramentas que fortaleceram o setor nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, o executivo criticou a inclusão do Pix na Constituição. Ripper resumiu o meio de pagamento como um “trilho novo” para transações e alertou que transformar o instrumento em matéria constitucional pode abrir espaço para politização. Ele apontou ainda o risco de tensão externa: a discussão sobre o Pix já entrou na agenda de alguns parceiros comerciais, que veem o sistema como barreira a concorrentes.

Ripper disse que, apesar das pressões internacionais — como reclamações que podem levar a eventuais retaliações comerciais — o Brasil dificilmente restringirá o uso do Pix. Ele também destacou a capacidade de inovação do país: o Banco Central, na visão do executivo, foi responsável por avanços que hoje atraem atenção de outros mercados, citando a adoção de modelos semelhantes por México e Colômbia. No plano corporativo, Ripper lembrou que a Bemobi realizou sete aquisições desde o IPO de 2021 e cresceu sem recorrer a endividamento, ao mesmo tempo em que ressaltou o impacto negativo de juros elevados sobre empresas.

A avaliação pública do CEO mistura elogio institucional e preocupação estratégica. Do ponto de vista político e econômico, a constitucionalização do Pix implica perda de margem regulatória e maior exposição a disputas legislativas e externas — cenários que podem frear a agilidade necessária para inovação. Para atores privados e para o próprio Banco Central, a discussão exige equilíbrio: preservar autonomia e capacidade de investimentos, sem transformar um mecanismo técnico em arma de disputa política ou alvo de pressões geoeconômicas.