O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, elevando a Selic a 13,75%. Foi a quinta redução seguida, todas de igual magnitude desde março, em uma sequência que o mercado passou a chamar de ciclo de calibragem — gradual e cauteloso.
Silvia Ludmer, economista-chefe do Andbank Brasil, avalia que o Banco Central mantém uma postura conservadora, movendo-se devagar apesar de sinais de inflação corrente mais benignos. Ao mesmo tempo, ela destaca que as expectativas inflacionárias vêm se deteriorando: desde o início dos cortes o consenso do Focus para o IPCA deste ano subiu de 4,10% para cerca de 4,9%, e as projeções para 2025 e 2028 também avançaram.
Os riscos capazes de interromper o afrouxamento incluem uma piora da taxa de câmbio após o resultado eleitoral, elevação persistente das expectativas, e choques domésticos como a PEC 6x1, a reforma tributária ou o fenômeno climático El Niño. No âmbito externo, a sincronização inversa — enquanto o Brasil corta, bancos centrais avançados sinalizam aperto — pode gerar pressão sobre o real e, por tabela, sobre a inflação.
Do ponto de vista político e econômico, a opção por um ciclo mais tolerante à inflação eleva o custo de credibilidade do BC se as expectativas continuarem subindo. Mercados e formuladores de política deverão acompanhar de perto a evolução do câmbio, as leituras do IPCA e o relatório Focus: qualquer aceleração dessas variáveis complica a narrativa de redução gradual dos juros e pode forçar ajustes na estratégia em curto prazo.