O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, negou que a autarquia tenha firmado qualquer prazo com o BRB para a apresentação do balanço ou a resolução dos problemas de liquidez da instituição. Em coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira, Galípolo afirmou que o BC monitora diariamente as instituições e aplica medidas previstas em lei quando necessário, sem concessão de renúncias ou 'waivers'.

A declaração ocorre na semana em que o BRB prevê enviar seu balanço até sexta-feira (29). No documento, o banco ligado ao governo do Distrito Federal deverá explicitar não só os números atuais, como também propostas concretas para recompor capital após o prejuízo relacionado à compra de ativos do Caso Master, estimado em até R$ 8,8 bilhões.

Entre as alternativas em estudo pelo BRB estão aportes, venda de ativos e operações sobre dívidas ativas do governo do DF para o mercado – a chamada negociação de 'ágios'. O BC citou esses instrumentos como exemplos das formas legais de solução, ao mesmo tempo em que reforçou que multas têm sido aplicadas quando a lei assim exige.

A situação cria pressão política sobre o banco e o governo do Distrito Federal: a necessidade de capitalização pode acarretar custo fiscal, transferir risco ao contribuinte ou reduzir espaço para outras prioridades locais. Para o mercado, a clareza do balanço e a adoção de medidas críveis serão cruciais para restaurar confiança e evitar contágio sistêmico.