O Banco Central revisou para cima suas projeções e agora projeta inflação de 4,6% em 2026, acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária. A revisão sucede um choque externo: a guerra no Oriente Médio elevou a incerteza e pressionou preços de energia, repercutindo nos custos domésticos.

Na prévia do IBGE, a gasolina avançou 6,23% em abril, enquanto o grupo Transportes teve alta de 1,34% e foi um dos maiores impactos no IPCA-15. O item combustíveis saltou de -0,03% em março para 6,06% em abril, demonstrando como choques internacionais têm transmissão rápida para índices de preços brasileiros.

O Copom sinalizou cautela na condução da política monetária e disse que os passos futuros da calibragem da taxa básica levarão em conta novas informações sobre profundidade e extensão dos conflitos e seus efeitos sobre preços. Com a inflação projetada acima do teto, a autoridade reduz margem de manobra para cortes de juros e preserva a opção por manutenção ou aperto de política.

Além do impacto direto sobre o bolso das famílias, a revisão complica escolhas fiscais e cenários de crescimento: juros mais altos por mais tempo elevam o custo do crédito e pressionam despesas públicas. Para o governo, o quadro aumenta a necessidade de ajustar narrativa e medidas para mitigar perda de poder de compra e o efeito político da alta de preços.