O Banco Central excluiu, por meio de instrução normativa publicada no Diário Oficial da União no dia 17, o limite diário de R$ 500 aplicado ao Pix por aproximação. A alteração vale a partir de 1º de outubro de 2026 e revoga trechos da norma de agosto de 2024 que impuseram o teto. A nova redação permite, agora, que o usuário solicite ao provedor o aumento ou a redução do limite nessa modalidade.

O Pix por aproximação, lançado em fevereiro de 2025, opera de forma semelhante a cartões cadastrados em carteiras digitais (Google Pay, Apple Pay, Samsung Pay) e foi tornado obrigatório para todas as instituições desde sua implementação. Para usar a funcionalidade o consumidor precisa vincular a conta à carteira digital do celular; o procedimento é análogo ao uso de cartões via aproximação.

O meio de pagamento já é dominante no Brasil: 76,4% da população o utiliza, e o sistema acumulou mais de R$ 75,4 trilhões e cerca de 181,6 bilhões de operações, segundo dados do BC compilados pela mídia no fim do ano passado. O presidente da autoridade monetária destacou em audiência no Senado que o Pix foi relevante para a bancarização, atuando de forma complementar ao cartão e contribuindo para o crescimento da base de clientes bancários.

A mudança reforça conveniência e competitividade frente aos cartões — pesquisas de mercado indicam avanço do Pix no e-commerce, com projeção da fintech Ebanx de participação próxima a metade das transações até 2028. Setores específicos já registram efeitos: pagamentos de mensalidades em ensino superior cresceram 21% em 2025, somando R$ 690 milhões, segundo levantamento da Gennera.

Ao mesmo tempo, a retirada do teto transfere responsabilidades para consumidores, provedores de carteiras e instituições financeiras no desenho de limites, controles e proteção contra fraudes. A mudança amplia liberdade de uso, mas exige fiscalização e padrões operacionais claros por parte do BC e dos bancos para preservar segurança e confiança do sistema.