O Banco Central da Rússia cortou a taxa básica em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, e informou que avaliará novas reduções conforme a sustentabilidade da desaceleração da inflação, o comportamento das expectativas e o balanço de riscos domésticos e externos. A decisão foi anunciada após a reunião de política monetária realizada na sexta-feira (19).

No comunicado, a autoridade destacou que o crescimento econômico recuperou ritmo depois de uma queda temporária e que a alta subjacente de preços diminuiu, mas segue na faixa anualizada de cerca de 4% a 5%. O BC mantém a previsão de que a inflação anual deve recuar para entre 4,5% e 5,5% em 2026, com a inflação subjacente próxima de 4% no segundo semestre.

A nota traz, porém, um alerta explícito sobre política fiscal: o horizonte de três anos será mais acomodatício do que antes previsto, o que pode exigir uma trajetória de juros mais elevada do que a considerada no cenário-base de abril. Além disso, a persistência de déficits primários estruturais até 2029 poderia forçar uma postura monetária mais restritiva.

Os mercados reagiram de forma contida: o rublo praticamente não oscilou frente ao dólar, cotado a cerca de 73,515 rublos por volta das 7h48 (horário de Brasília). A mensagem do BC é clara para investidores e para o governo: há espaço limitado para afrouxamento rápido, e a consolidação fiscal será determinante para permitir cortes adicionais — a próxima decisão está marcada para 24 de julho.