O Banco Central conclui, em box do Boletim Regional, que a elevação de tarifas dos Estados Unidos em 2025 reduziu as exportações brasileiras para aquele mercado em US$ 2,7 bilhões, de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões. O impacto agregado foi pequeno — cerca de 0,1% do PIB e 0,8% das exportações —, mas houve forte concentração regional, com efeito mais pronunciado entre agosto e novembro do ano passado.
A autoridade monetária decomposita a variação: queda de 6,7% no valor das exportações para os EUA, puxada principalmente pela redução do quantum (-5,6%) e, em menor grau, pela queda de preços (-1,2%). No Sudeste o volume caiu 4,4%; no Sul, 14,5%. Entre estados, as maiores retrações em valores absolutos ocorreram no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, enquanto o Espírito Santo registrou a perda mais relevante em termos relativos (0,55% do PIB estadual).
O boletim detalha setores afetados: em Minas a redução decorreu do volume de café, parcialmente compensada por preços; em São Paulo houve perda em bens industrializados e semimanufaturados; no Rio recuaram combustíveis apesar de petróleo não ter sido tarifado; no Sul, madeiras e máquinas e queda de volumes de carnes bovinas. O BC também identifica sinais de redirecionamento de vendas a outros mercados, já que as exportações totais do país cresceram no período.
Embora o efeito agregado seja limitado, o diagnóstico expõe vulnerabilidades locais e setoriais que têm custo real para emprego e receita estadual, e que exigem resposta de política comercial e de promoção de mercados. O cenário para 2026 é incerto: o boletim cita mudança de decisões judiciais sobre tarifas, medidas adicionais anunciadas pelos EUA, a manutenção de sobretaxas sobre aço e alumínio e investigações comerciais em curso — variáveis que justificam monitoramento e ações coordenadas.