O Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito de 2,0% para 2,25%, o primeiro aumento desde setembro de 2023. A decisão, antecipada por mercados e analistas, foi motivada pelo avanço da inflação — acima de 3% no bloco de 21 países — e pela preocupação de que o aumento dos custos de energia, associado à guerra no Irã, se espalhe mais amplamente pela economia.
Autoridades do BCE apresentaram o movimento como uma medida preventiva para ancorar expectativas de preços e resguardar a credibilidade da instituição, que foi criticada por reação tardia ao pico inflacionário pós-pandemia. O banco também revisou para cima suas projeções de inflação para este e o próximo ano, reforçando a justificativa técnica para a alta.
O ajuste não é isento de custos. A zona do euro convive com um crescimento muito fraco e a elevação dos juros tende a aumentar o peso dos juros sobre famílias, empresas e governos com dívidas sensíveis à taxa. Economistas estão divididos: alguns defendem a ação para evitar que a inflação se enraíze; outros alertam que apertar a política monetária agora pode aprofundar a estagnação.
Os mercados já precificam pelo menos mais dois aumentos ao longo dos próximos doze meses, com o próximo movimento esperado em setembro. O BCE, porém, mantém a postura data-dependent: decisões futuras serão tomadas reunião a reunião, conforme a evolução dos dados. O quadro expõe o dilema da autoridade — proteger a estabilidade de preços sem sacrificar a recuperação econômica — e impõe nova pressão sobre políticas fiscais e empresariais no continente.