O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juros nesta quinta-feira, em linha com expectativas, mas o tom da divulgação mudou: autoridades indicaram preocupação crescente com a inflação após o salto anual para 3% e com o impacto do choque energético motivado pela guerra no Oriente Médio. A cúpula do BCE avaliou o cenário como mais incerto e deixou claro que a janela para um aperto monetário reabriu.

A presidente Christine Lagarde disse que a manutenção foi uma escolha consensual, mas que a hipótese de alta foi discutida extensamente. Em nota pública, o Conselho apontou que os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o crescimento se intensificaram — combinação que exige cautela e flexibilidade. O núcleo da inflação, indicador-chave para avaliar a persistência da alta de preços, desacelerou apenas modestamente, de 2,3% para 2,2% em abril.

Os mercados já reagiram precificando cerca de 72 pontos-base de aumentos nas taxas até o fim do ano, abaixo dos níveis negociados mais cedo, mas suficiente para sinalizar expectativa de aperto. A presidente do BCE marcou a próxima reunião de política monetária em junho como o momento para reavaliar dados e decidir o rumo. A alta do petróleo, à máxima em quatro anos, cria um elemento adicional de pressão sobre preços e expectativas de inflação de curto prazo.

Para países e consumidores europeus, a perspectiva de juros mais altos reabre discussões sobre custo de crédito, crescimento e estabilidade orçamentária. Para o BCE, o desafio é calibrar resposta sem sufocar uma economia já afetada por riscos externos. A convergência com o Fed, que manteve recentemente sua faixa de juros, também ficará sob observação, dado o impacto de decisões divergentes entre grandes bancos centrais nos fluxos financeiros e na taxa de câmbio.